sexta-feira, 12 de novembro de 2010

and you can tell everybody...

Lembro-me de quando eu tinha uns dois ou três anos. Costumava viajar de carro para o interior. Durava muito tempo, mas eu gostava!
Eu ficava sentada na cadeirinha na parte de trás, olhando tudo que havia em minha volta, tudo que eu ia deixando e perdendo de vista depois. As imagens passavam tão rápido que eu costumava encontrar vultos entre elas.

Do que mais me lembro era de eu escutando "Your Song" do Elton John. O Sol batia em mim, eu ia fechando meus olhos enquanto ouvia aquele piano. Eu amava, mesmo sem entender absolutamente nada do que a música dizia. Era como a língua do vento, completamente estranha para mim. Mas a sensibilidade sempre foi notável. Por isso que me machuco com as lembranças.

Depois da bomba, eu passei á ouvir "Your Song" num lugar frio e escuro. Sentia falta do Sol. Eu levantava e via o quanto tinha crescido e a quantidade de coisas que ficaram pra trás. A quantidade de coisas que eu perdi com o tempo. Não somos nenhum tipo de "Peter Pan"!
No início queremos crescer. Ter nosso carro, o emprego dos sonhos, uma família e tudo mais. Porém, a brisa sempre acaba levando tudo o que pedimos. Nossos desejos mudam, nossos gostos, nossos ídolos, nossas certezas que sempre serão incertas.
É difícil ver como o tempo estraga as pessoas. Como ele nos tira as purezas de crianças e nos dá sentimentos tão mundanos. Inveja, voracidade, egoísmo.

Olho-me no espelho. Vejo sombras me rondando. Elas, que vieram com o vento.
Minha voz mudou. Não me sinto mais quem fui. Responsabilidades, medos e angústias, situações que te levam á mentir.

Crescer machuca. E o que machuca mais ainda é saber que essa é só a largada. Mas é minha! É minha música!

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